Recursos Distribuição
Programa de gestão de encomendas para distribuidoras: o que tem de ter
Numa distribuidora, a encomenda passa por muitas mãos antes de chegar ao cliente. Este texto é sobre o que um programa tem mesmo de fazer nesse percurso, e sobre o que é conversa.
14 de Setembro de 2026 · 3 min de leitura
Onde é que as encomendas se perdem hoje
Quase nunca se perde uma encomenda inteira. Perde-se um pedaço: a linha que o comercial acrescentou por telefone e ninguém passou ao armazém, o desconto que ficou combinado na cabeça de alguém, a entrega que foi adiada e o cliente não soube.
O padrão é quase sempre o mesmo. A encomenda entra por três caminhos diferentes, telefone, email e comercial na rua, e só se junta toda quando alguém a escreve outra vez num programa. É nesse passo que as coisas se perdem, porque quem passa o dia a copiar acaba por se enganar.
Antes de escolher programa nenhum, vale a pena contar quantas vezes a mesma encomenda é escrita do princípio ao fim. Na maioria das distribuidoras que vemos, são três.
O que tem mesmo de ter
Preços por cliente, com as regras verdadeiras. Numa distribuidora quase nunca há um preço só. Há escalões, há condições negociadas, há o cliente antigo que ficou com uma tabela própria. Se o programa não souber essas regras, alguém vai continuar a corrigir preços à mão, e é aí que aparece o erro caro.
Estado da encomenda visível para quem precisa. O comercial tem de poder ver se já saiu sem ligar ao armazém, e o armazém tem de ver o que entra hoje sem esperar por um mapa. Um estado por encomenda, actualizado por quem faz o trabalho, resolve metade dos telefonemas internos.
Encomenda a partir do telemóvel. Quem anda na rua não volta ao escritório para escrever o que vendeu. Se o comercial puder registar no momento, a encomenda entra uma vez só e entra certa.
As ligações que fazem a diferença
Um programa de encomendas que vive sozinho troca um problema por outro. O valor está nas ligações aos sistemas que já lá estão, e são poucas as que interessam mesmo: o stock, a faturação e a expedição.
Não fazemos faturação certificada, e ninguém sério devia propor fazer à medida. Ligamo-nos ao programa certificado que a empresa já usa, para que a fatura saia de lá com os dados da encomenda já preenchidos. O mesmo para a transportadora: a guia sai com a morada e os volumes que já estão no sistema, em vez de serem escritos outra vez num portal.
Cada ligação é trabalho, porque do outro lado está o sistema de outra pessoa com as regras dela. Mas é a parte que devolve horas todas as semanas, e é a primeira a pagar-se.
Quando não compensa trocar
Se a distribuidora trabalha com poucos clientes, preços iguais para todos e encomendas que entram só por email, um programa à medida é dinheiro mal gasto. Há programas de prateleira que fazem isso bem e custam pouco por mês. Dizemos isso a quem nos procura nessas condições.
Também não compensa quando o problema não é o programa. Se as encomendas chegam erradas porque ninguém confirma o que o cliente pediu, o sistema novo vai registar os mesmos erros mais depressa. Essa parte arruma-se primeiro, com regras, e só depois se automatiza.
Compensa quando as regras de preço são suas e diferentes das dos outros, quando há gente a copiar a mesma encomenda para mais do que um sítio, e quando o número de encomendas cresceu mais do que a equipa. Aí a conta faz-se sozinha.
O que tem de ter, e para que serve
| Função | O que evita | Fica para segunda fase? |
|---|---|---|
| Preços e condições por cliente | Correcções de preço à mão e faturas erradas | Não, é a base |
| Estado da encomenda | Telefonemas entre comercial e armazém | Não |
| Registo a partir do telemóvel | Encomendas escritas ao fim do dia, de memória | Não, se houver equipa na rua |
| Ligação ao stock | Vender o que já não há | Não |
| Ligação à faturação certificada | Escrever a mesma encomenda duas vezes | Não |
| Ligação à transportadora | Copiar moradas para o portal da transportadora | Pode ser |
| Portal para o cliente encomendar | Encomendas por telefone e por email | Pode ser |
| Relatórios de vendas por comercial | Fechos de mês feitos no Excel | Pode ser |
Perguntas que nos fazem sobre isto
O que tem de ter um programa de gestão de encomendas para uma distribuidora?
Preços e condições por cliente, estado da encomenda visível para o comercial e para o armazém, registo a partir do telemóvel e ligação ao stock e ao programa de faturação. O resto, como portais e relatórios, pode entrar numa segunda fase.
Faz a faturação certificada da distribuidora?
Não fazemos faturação certificada nem devia alguém fazê-la à medida. Ligamo-nos ao programa certificado que já usa, para que a fatura saia de lá com os dados da encomenda preenchidos e ninguém escreva a mesma coisa duas vezes.
Vale a pena se as encomendas entrarem só por email?
Nem sempre. Com poucos clientes, preços iguais para todos e um só canal de entrada, um programa de prateleira costuma chegar e custa pouco. Dizemos isso quando é o caso, em vez de vender um projecto que não se paga.